Alarvidades discriminatórias

Joana Amaral Dias, escritora (de banalidades e alarvidades) colocou o post abaixo na sua página de promoção pessoal no facebook. Nas alarvidades que aqui escreve (as banalidades também têm lugar na página, mas ficam sobretudo para os livros) sobre a a nova deputada do LIVRE, Joacine Katar Moreira, há três que não resisto a comentar e que, por isso, sublinhei. O argumento da escritora é que Joacine, devido à sua gaguez, estará sempre em desvantagem no debate parlamentar em relação aos que conseguem uma fala mais fluente. Joana prossegue (boçalmente), dizendo que seria absurdo “colocar um paraplégico a competir com um banal atleta de 100 m barreiras” (palavras para quê?). Confessa ter “dificuldades em acompanhar o fio de raciocínio da JKM”, o que me parece perfeitamente aceitável, dado o défice cognitivo revelado nas alarvidades que escreve. Prossegue, afirmando que é uma “pena o Bloco de Esquerda ter desprezado Jorge Falcato”, esse sim, um deficiente de jeito que cumpre com os buçais requisitos joaninos para ser membro do parlamento. Termina falando-nos da “enorme diferença que há” entre eleger “deputados que sejam portadores de deficiência […] e a exposição, a exploração tipo Circo homem-elefante, dessas mesmas dificuldades ou deficiências”. Já o que Joaninha se esqueceu de referir, foi que parece não ter qualquer problema em exibir o Circo da mulher-burra, capaz de se expor e alarvar tamanhas boçalidades.

O que Joana Amaral Dias parece ter dificuldades em compreender, é que cirurgião cardíaco, atleta ou cantor, não são cargos representativos, pelo que faz todo o sentido que um cego, um paraplégico ou uma pessoa com mutismo total não os exerçam, respetivamente. Porém, o cargo de deputado é representativo de quem os elegeu e achar que há alguém eleito que não é suficientemente bom para o fazer só porque é gago (gaga, no caso) é uma contradição em si mesmo do espírito da democracia representativa. Mas compreendê-lo exige mais que aquilo que nos é dado a ver por Joana Amaral Dias.

Afinal de contas, de que serve ser fluente de fala, se o que nos é dado a ouvir se ouve é apenas um chorrilho de disparates que tem por origem uma acentuada gaguez do pensamento?

Antes de terminar, gostaria de manifestar o maior respeito que possuo por paquidermes e asnos e que não pretendo de forma nenhuma minimizar tão nobre animal, como é o Equus asinus, ao proceder à comparação anterior.

A morte de Klaus

A cerca de dez dias do Natal de 1938, Klaus cai doente. Não consegue articular palavra. Além da tosse, apenas um ocasional gemido rouco foge da sua boca. O seu olhar perdido no vazio denuncia o torpor provocado pela febre escaldante. Mesmo para um leigo, o diagnóstico adivinha-se fácil. O asfixiante inchaço do pescoço, os véus brancos que lhe cobrem as amígdalas e a recusa dos alimentos devido às dores e dificuldades em engolir, são sintomas claros de uma difteria. Existem tratamentos e medicamentos que lhe podem salvar a vida. Uma traqueotomia poderia levar novamente o ar aos seus pulmões. Mas, para isso, Klaus precisa de intervenção médica.

Albert, avô de Klaus, tenta convencer o seu filho a chamar um médico, mas este rejeita a sua sugestão. O divórcio que Albert impôs a Mileva, sua mãe, deixou-lhe um ressentimento capaz de alimentar o prazer mesquinho em o contrariar. Mas, esta está longe de ser a razão por que o pai de Klaus lhe recusa tratamento médico.

Mary Baker – que no final do século XIX na costa este dos estados unidos fundou a Igreja do Cristo Cientista – afirma nos seus escritos que: hoje, como no tempo de Jesus, a cura se faz pela intervenção do Príncipe Divino. Nenhum tratamento médico é necessário ou recomendado. Apenas a oração, através da dissipação da doença e do pecado da consciência humana, pode curar.

Apesar da insistência de Albert, os pais de Klaus recusam pedir a ajuda de um médico. Limitam-se a rezar. Rezam desesperadamente, sem descanso, em busca da intervenção do Príncipe Divino, que não chega.

No dia cinco de janeiro de 1939, a três meses de completar o seu sexto aniversário e sem um médico à cabeceira, morre, de ignorância, estupidez e crendice paterna, Klaus Martin Einstein.