O perdão ao belo

Susan Sontag, no seu ensaio sobre fotografia intitulado O Heroísmo da Visão, alerta-nos para os perigos da beleza na fotografia. A fotografia é sempre bela! Mesmo a fotografia que busca revelar uma realidade cruel e dura tem impacto no observador, porque é bela. Esta beleza pode, sobretudo a longo prazo, neutralizar as emoções e comprometer a documentação e o manifesto social, intenções iniciais do fotógrafo.

Nas palavras da autora,

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¿Quieres ser mi amante?

Morreu Camilo Sesto e fiquei triste. Também pela morte do cantor aos 72 anos, mas sobretudo pelas pessoas que me são queridas e que perderam a memória por incapacitação tecnológica.

Estava-se em 1974, ano de muitas músicas e alegrias para os Portugueses, quando se ouvia o ¿Quieres ser mi amante? na rádio. A minha tia e a minha mãe ouviam a música repetidamente, umas vezes na rádio, outras no gira-discos portátil SILVANO RADIO PHONO CASSETE – THREE in ONE 717, que o meu pai tinha trazido de Manaus, a um preço mais em conta.

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A morte de Klaus

A cerca de dez dias do Natal de 1938, Klaus cai doente. Não consegue articular palavra. Além da tosse, apenas um ocasional gemido rouco foge da sua boca. O seu olhar perdido no vazio denuncia o torpor provocado pela febre escaldante. Mesmo para um leigo, o diagnóstico adivinha-se fácil. O asfixiante inchaço do pescoço, os véus brancos que lhe cobrem as amígdalas e a recusa dos alimentos devido às dores e dificuldades em engolir, são sintomas claros de uma difteria. Existem tratamentos e medicamentos que lhe podem salvar a vida. Uma traqueotomia poderia levar novamente o ar aos seus pulmões. Mas, para isso, Klaus precisa de intervenção médica.

Albert, avô de Klaus, tenta convencer o seu filho a chamar um médico, mas este rejeita a sua sugestão. O divórcio que Albert impôs a Mileva, sua mãe, deixou-lhe um ressentimento capaz de alimentar o prazer mesquinho em o contrariar. Mas, esta está longe de ser a razão por que o pai de Klaus lhe recusa tratamento médico.

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