Zakelijke aanpak…

A data junto da minha assinatura é de 6 de fevereiro de 2016, mas julgo que o li bastante mais tarde, talvez só mesmo no verão de 2017. Pouco interessa. Foi há mais ou menos três anos que o li. Chama-se Com os Holandeses, foi escrito pelo José ( ou,como é apresentado no livro, J.) Rentes de Carvalho e publicado pela Quetzal em Janeiro de 2009 ( o meu exemplar é uma reimpressão de 2014). Rentes de Carvalho chegou a Amesterdão em Março de 1956 (numa tarde de sábado, segundo ele) e acabou por ficar por lá por até 1988.

Com os Holandeses é um tratado crítico sobre os costumes do povo que habita o pais onde Voltaire se exulou e que abreviou em três palavras: “Canards, canaux et canailles”.

Nada de confusões! Algumas das declarações mais recentes de J. Rentes de Carvalho, são, na minha opinião absurdas e perigosas. Nomeadamente as posições dele em relação às alterações climáticas e às relações entre Trump e Putin ou o apoio ao candidato holandês de extrema direta Geert Wilders, nas eleições de 2017, são de manter (uma grande) distância. Contudo, isso nãome impede de buscar ideias nos seus escritos.

Zakelijke aanpak é uma expressão em neerlandês que se ouve frequentemente como que a justificar um ato menos escrupuloso do qual se retira partido. O Google traduz a expressão por “abordagem de negócios”, Rentes de Carvalho tradu-la por “à maneira do comércio”. Pessoalmente, no meu parco neerlandês, prefiro a tradução do Rentes, embora substituisse o “comércio” pela sugestão googleana de “negócio”, mas isso é irrelevante.

Ainda de acordo com o escritor

“além de ser corrente e aceitável nas relações entre as pessoas, a frase justifica também que se tire o máximo proveito de tudo e todos, mesmo, e sobretudo, de quem não tem força ou ocasião para se defender.”

J. Rentes de Carvalho

Zakelijke aanpak é quando, no meio de uma crise sanitária como a que estamos a enfrentar, o ministro das finanças dos Países Baixos, Wopke Hoekstra, resolve pedir uma investigação às contas públicas de Espanha, por estarem a enfrentar dificuldades financeiras relacionadas com o combate à pandemia.

Zakelijke aanpak é quando um país se opõe à criação de coronabonds.

Zakelijke aanpak é quando um país que pertence a uma zona de moeda comum, se transforma num paraíso fiscal para roubar impostos a empresas menos escrupulosas que têm o direito de aí se sediarem.

Zakelijke aanpak é quando a Tax Justice Network estima em  236 milhões de euros anuais o dinheiro de impostos que é desviado de Portugal para a Holanda.

Mas, zakelijke aanpak é também quando alguém dá um murro na mesa e diz chega. E nisso, os países do sul da Europa, incluindo a França, e alguns do Norte, como a Irlanda, tem de se juntar e dar esse murro em conjunto.

Afinal de contas, isto é tudo uma questão de negócio.

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