A confissão da morte, ou do absurdo do livre arbítrio

A-Desumanizacao.jpgContava-se que o senhor Steindór era de tal modo sensato, e substituía tão bem a necessidade de termos ali um prior, que até a morte se lhe fora confessar. Para tonar suportável o diálogo, na altura de elencar os seus pecados, a morte disse apenas quem era e o Steindór imediatamente intui a dimensão da sua pena. Contava-se que a morte ainda duvidara da capacidade de o homem a atender numa confissão de apenas um dia. Como era eterna, e como o homem viveria bastante, estava disposta a voltar para confissão durante o tempo de um ano inteiro. Mas o Steindór da nossa terra explicou-lhe que a poderia absolver num só ato. Caber-lhe-ia a honestidade na resposta. O Steindór, então, perguntou à morte se nascera para ser outra coisa ainda que o sonhasse tão intensamente. Ela respondeu não.

In “A desumanização”, de Válter Hugo Mãe, Porto Editora, 2013 (pp. 102-3)

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